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Delações da Odebrecht: políticos de Uruguaiana são suspeitos de receber doações
14/04/2017 - 20h26 em Novidades

Dez políticos de Uruguaiana, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, são suspeitos de receber dinheiro do Grupo Odebrecht. Conforme delação do ex-executivo da empresa Paulo Welzel à Polícia Federal na Operação Lava Jato, eles foram procurados para que dessem apoio político à permanência da empreiteira nos serviços públicos na cidade.

O grupo consta na lista do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato, que solicita investigação pela Procuradoria-Geral da República a partir de delações de ex-executivos da Odebrecht.

Doações para campanhas

Uruguaiana foi a primeira cidade gaúcha a ter uma empresa privada como concessionária de água e esgoto. Em junho de 2011, a Foz do Brasil, do grupo Odebrecht, assumiu o serviço. Os delatores disseram que a empresa identificou três candidatos com chance de serem eleitos prefeitos em 2012 e acertou com eles doações de campanha por meio de caixa dois.

O delator diz que Luiz Augusto Fuhrmann Schneider – que foi eleito – e Francisco Barbará receberam R$ 100 mil cada um da empreiteira, e Mauro da Silva Brum recebeu R$ 50 mil. Em contrapartida, eles apoiariam a permanência da Foz do Brasil nos serviços.

Welzel disse ainda que também em 2012 foram repassados entre R$ 25 mil e R$ 30 mil a seis candidatos a vereador na cidade fronteiriça. Entre eles, estaria o atual prefeito de Uruguaiana, Ronnie Mello, que foi citado também em outra delação.

O delator Guilherme Paschoal disse que em 2014 a Odebrecht doou R$ 120 mil para as campanhas de Frederico Antunes a deputado estadual e de Ronnie Mello a deputado federal. Antunes teria recebido R$ 70 mil e Mello, R$ 50 mil. Antunes foi reeleito para o quinto mandato na Assembleia. Já Mello não se elegeu.

Contrapontos

Os três candidatos a prefeito de Uruguaiana na eleição de 2012 que, segundo Welzel, receberam doações via caixa dois negaram o fato. "Não houve nenhum patrocínio na campanha em 2012 que tenha sido doado pela Odebrecht à pessoa do Mauro Brum e ao candidato", garantiu Brum.

 

O ex-prefeito Luiz Augusto Schneider também negou. "Nunca solicitamos recursos. Não recebemos. Nossa atuação como agentes políticos sempre foi pautada de maneira independente."

Francisco Barbará também negou ter participado do esquema.

Ronnie Mello negou ter recebido verba da Odebrecht. "Jamais recebemos absolutamente nada. Pelo contrário, nossas campanhas sempre foram muito abertas, transparentes com o apoio e respaldo de pessoas que sempre acreditaram no nosso trabalho. Sempre houve uma relação institucional de respeito. Agora, de forma alguma, jamais recebemos recurso irregular ou algo do gênero", disse.

Frederico Antunes diz que está buscando com os órgãos competentes as referências ao nome dele e que, assim que tiver contato com o material, prestará todas as informações necessárias.
 
 
 

fonte:G1rs

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